sábado, 25 de outubro de 2014

Magui, a Exploradora

Hoje fiquei com vontade de recuperar um excerto de um pequeno (pequeníssimo) conto meu. Para me recordar do quão importante é mantermo-nos curiosos e com capacidade de espanto perante a vida, tal como a criança que todos fomos um dia. A partir do momento em que nos tornamos demasiado sérios, pouco flexíveis, raramente sonhadores, esta jornada rápida da vida perde toda a piada.

O Sol do meio-dia raia lá em cima. Tolda-me a visão. O turbilhão de cores que surge na minha frente leva-me para um sítio longínquo, bem atrás no tempo. E como que num sonho esbatido a luz, deparo-me com uma miúda que percorre freneticamente um pequeno jardim. Em passo de corrida, um pé atrás do outro, um pulo seguido do seguinte, aquela miúda enche toda a tela. Penso que deverá ter apenas cerca de cinco anos, mas há toda uma energia positiva em seu redor, completamente contagiante. De onde estou, ela já me fez sorrir, o que parecia impossível nesta altura. A miúda enverga um chapéu de explorador demasiado grande, que teima em cair-lhe sobre a face, e toda uma vestimenta a rigor. Própria para quem está determinada a descobrir o mundo. Presa ao seu pescoço, uma bússola desnorteada com tanta excitação e agilidade. Numa das mãos, um par de binóculos super potente, na outra, o mapa do seu bairro. Como ela gosta de sublinhar: hoje, todo o bairro, um dia, o mundo inteiro. Na outra mão, um bloco de notas onde aponta tudo o que vê. Como ainda não aprendeu a escrever, tudo o que aponta é desenhado. A lápis de cera. Uma roulotte de gelados ao virar da sua esquina, um dálmata correndo atrás de um boomerang, pés descalços na relva fresca, um avião no céu. Tanta, tanta coisa intrigante à sua volta. A miúda fica fascinada com tudo o que acontece, ali, mesmo à sua frente, sem pedir licença. E bastante surpreendida por mais ninguém parecer importar-se com tamanha beleza e inquietude, que acontece a todo o instante. 'Talvez eles já tenham visto tudo.' - pensava ela. Mal compreendia que estava incontornavelmente enganada.

Polaroid #1

Não tenho ideia se a página do Hypeness é muito conhecida em Portugal ou não, mas vale muito a pena dar uma olhada. Normalmente, destaca projectos de fotografia ou outras artes, notícias interessantes ou ideias curiosas (tudo no separador 'Vida e Estilo'). De vez em quando, vou lá parar e fico sempre deliciada com o que encontro. Foi o que me aconteceu quando li acerca do trabalho deste fotógrafo de 15 anos, capaz de criar um mundo em miniatura. Uma boa parte das imagens nem parece baseada em fotografias de pessoas (apesar de o ser!), tudo graças ao trabalho de edição impressionante e logística que está por detrás. Zev Hoover edita as fotografias (em todos os seus parâmetros: luz, posição, tudo) que são meticulosamente planeadas e tiradas, para depois conseguir criar um mundo virtual de pessoas miniatura. É o caso da fotografia abaixo, em que uma senhora que passeia o seu cão na neve gelada da Finlândia  parece ter metade do tamanho de pegadas humanas que por lá se encontram.
Zev Hoover, 'Little Folk'

Para quem ficou curioso, neste blog do próprio Zev existe uma explicação mais detalhada de como ele consegue chegar ao resultado final desta imagem. Está tudo explicado com recurso a imagens ilustrativas, por isso é fácil acompanhar, mesmo para quem não percebe muito de fotografia, como eu. Eu achei o máximo mesmo e depois de compreender toda a disciplina e trabalho que este miúdo (já disse que ele só tem 15 anos?!) tem de ter a fim de obter uma só fotografia, acho que toda a gente deveria conhecer o seu trabalho. 

PS.: Desde miúda que acho piada às máquinas fotográficas Polaroid, daí o título desta rubrica. Do clique de um botão sair logo uma estampa instantânea do que estamos a observar, é quase magia (infantil, eu sei!).

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Película #1

O cinema faz parte dos meus interesses pessoais e é um dos meus hobbies (passatempos) preferidos, provavelmente, como acontece com uma grande parte das pessoas da minha idade. Gosto de informar-me sobre os filmes que estão a ser produzidos e aqueles que estão mesmo mesmo a ser lançados, demoro-me a ver trailers e o percurso dos actores que vou admirando e que me vão surpreendendo. Ir ao cinema é sempre uma excitação, tenho a confessar! Normalmente, consigo ir uma vez por mês ou uma vez em cada dois meses, mas a Internet facilita imenso o acesso à chamada sétima arte (designação devida a Ricciotto Canudo, desde 1911, se a Wikipédia não está em erro).

O último filme que vi (no cinema) foi o Gone Girl, em português traduzido para Em Parte Incerta, com o Ben Affleck e Rosamund Pike como protagonistas e David Fincher como realizador. Despertou-me a atenção a elevada cotação do filme no IMDB (8.5/10 é muito bom) e já tinha vontade de rever o Ben Affleck em acção, pelo que consegui arrastar o meu querido (amazing!) Country Boy comigo. Na minha opinião, é um filme muito bem construído, que surpreende o espectador no fio da narrativa e com humor inteligente. Esperava um pouco mais de suspense, mas a história não é óbvia desde o início e são as suas voltas e reviravoltas que criam todo o mistério. Aborda a temática do casamento, quando um dos seus elementos é um psicopata, só por isto acho muito sugestivo! O Neil Patrick Harris (Barney!) também aparece, mas fica perto de perder a cabeça...


Ouvido entre dois homens, na saída da sala de cinema, num risinho algo nervoso: 'Esta noite ninguém vai querer dormir com a mulher!' 

Navios no Mar

'Tenho barcos, tenho remos, tenho navios no mar!'
E eu cá, tenho é andado com esta música na cabeça.
Interpretação/música de 'Os Golpes' e Letra original de Zeca Afonso.


Eu avisei que o primeiro post não seria o único, solitário. 
Para já, diria que isto está a começar bem.

O meu nome é Ana e este é o Country Girl. Apesar de adorar Lisboa, cidade que tão bem me acolheu nos últimos anos, e de sentir que, antes de ser (que sou!) portuguesa, sou do Mundo, cresci numa pequena aldeia ribatejana, pelo que sou (também) uma miúda do campo.

Para quê criar um blogue? Mais um, a juntar aos milhares que já existem? 

Boa pergunta! Actualmente existem blogues para todos os gostos, é bem verdade, desde os mais cor-de-rosa aos de humor negro, focando-se na culinária ou na vida familiar, nem vale a pena começar a enumerar todos os temas, e tudo isto à distância de um clique. Como gosto de ler e de escrever, rapidamente comecei a navegar pela blogosfera e acabei até por criar um blogue onde publicava pequenos contos. Este blogue funcionou mais para satisfação própria, já que adoro imaginar enredos e tentar colocá-los em papel, mas foi difícil manter uma regularidade nas publicações. Sentindo a necessidade de ter uma voz mais activa e, principalmente, de me manter mais informada sobre este mundo de informação e tecnologia tão activo e complexo, decidi criar um cantinho 'meu'... Pronto, confesso (acho que não dá para esconder mais!), estou apenas a aproveitar o facto de os impostos ainda não terem chegado aos caracteres... (Ainda não se paga taxa para escrever, pois não? - ler em surdina, por favor.)  

O que podemos esperar do 'Country Girl'?

Sinceramente? Acho que é melhor mantermos as expectativas em baixo...até porque eu não tenho rebuçados ou brindes para oferecer e, pior ainda, não consigo transmitir fielmente a piada que costumo ter na vida real (deve ser!). Agora mais a sério, muito provavelmente, neste espaço vamos encontrar um pouco de tudo: cinema, cultura, música, viagens, ciência, tecnologia, situações do dia-a-dia. Não posso prometer grande coisa, até porque não sei o que vai acontecer, mas uma coisa é garantida: este não será um post solitário!