Hoje fiquei com vontade de recuperar um excerto de um pequeno (pequeníssimo) conto meu. Para me recordar do quão importante é mantermo-nos curiosos e com capacidade de espanto perante a vida, tal como a criança que todos fomos um dia. A partir do momento em que nos tornamos demasiado sérios, pouco flexíveis, raramente sonhadores, esta jornada rápida da vida perde toda a piada.
O Sol do meio-dia raia lá em cima. Tolda-me a visão. O turbilhão de cores que surge na minha frente leva-me para um sítio longínquo, bem atrás no tempo. E como que num sonho esbatido a luz, deparo-me com uma miúda que percorre freneticamente um pequeno jardim. Em passo de corrida, um pé atrás do outro, um pulo seguido do seguinte, aquela miúda enche toda a tela. Penso que deverá ter apenas cerca de cinco anos, mas há toda uma energia positiva em seu redor, completamente contagiante. De onde estou, ela já me fez sorrir, o que parecia impossível nesta altura. A miúda enverga um chapéu de explorador demasiado grande, que teima em cair-lhe sobre a face, e toda uma vestimenta a rigor. Própria para quem está determinada a descobrir o mundo. Presa ao seu pescoço, uma bússola desnorteada com tanta excitação e agilidade. Numa das mãos, um par de binóculos super potente, na outra, o mapa do seu bairro. Como ela gosta de sublinhar: hoje, todo o bairro, um dia, o mundo inteiro. Na outra mão, um bloco de notas onde aponta tudo o que vê. Como ainda não aprendeu a escrever, tudo o que aponta é desenhado. A lápis de cera. Uma roulotte de gelados ao virar da sua esquina, um dálmata correndo atrás de um boomerang, pés descalços na relva fresca, um avião no céu. Tanta, tanta coisa intrigante à sua volta. A miúda fica fascinada com tudo o que acontece, ali, mesmo à sua frente, sem pedir licença. E bastante surpreendida por mais ninguém parecer importar-se com tamanha beleza e inquietude, que acontece a todo o instante. 'Talvez eles já tenham visto tudo.' - pensava ela. Mal compreendia que estava incontornavelmente enganada.
O Sol do meio-dia raia lá em cima. Tolda-me a visão. O turbilhão de cores que surge na minha frente leva-me para um sítio longínquo, bem atrás no tempo. E como que num sonho esbatido a luz, deparo-me com uma miúda que percorre freneticamente um pequeno jardim. Em passo de corrida, um pé atrás do outro, um pulo seguido do seguinte, aquela miúda enche toda a tela. Penso que deverá ter apenas cerca de cinco anos, mas há toda uma energia positiva em seu redor, completamente contagiante. De onde estou, ela já me fez sorrir, o que parecia impossível nesta altura. A miúda enverga um chapéu de explorador demasiado grande, que teima em cair-lhe sobre a face, e toda uma vestimenta a rigor. Própria para quem está determinada a descobrir o mundo. Presa ao seu pescoço, uma bússola desnorteada com tanta excitação e agilidade. Numa das mãos, um par de binóculos super potente, na outra, o mapa do seu bairro. Como ela gosta de sublinhar: hoje, todo o bairro, um dia, o mundo inteiro. Na outra mão, um bloco de notas onde aponta tudo o que vê. Como ainda não aprendeu a escrever, tudo o que aponta é desenhado. A lápis de cera. Uma roulotte de gelados ao virar da sua esquina, um dálmata correndo atrás de um boomerang, pés descalços na relva fresca, um avião no céu. Tanta, tanta coisa intrigante à sua volta. A miúda fica fascinada com tudo o que acontece, ali, mesmo à sua frente, sem pedir licença. E bastante surpreendida por mais ninguém parecer importar-se com tamanha beleza e inquietude, que acontece a todo o instante. 'Talvez eles já tenham visto tudo.' - pensava ela. Mal compreendia que estava incontornavelmente enganada.