domingo, 30 de novembro de 2014

Vinte e quatro

Ainda durante este mês, celebrei os meus 24 anos. (Parabéns Country Girl!!) Sim, eu sei que não avisei nem nada por aqui, mas também não é que tenha dezenas de fãs a quererem interessar-se. Os meus fãs, se é que posso usar este termo, aliás, contam-se pelos dedos de uma mão: o Country Boy e a Mãe Galinha, só cá metem os pés quando aviso acerca de um novo post e, provavelmente, é para terem a certeza de que não digo grandes asneiras. Como me estou a sair, meus amores?
Mas ia eu a dizer que Novembro é sempre um dos meus meses preferidos do ano, senão o meu preferido de todos. É o mês em que o Outono já está completamente instalado, com as folhas castanho-amareladas a inundarem todas as ruas, e como o Natal se começa a aproximar, as iluminações são montadas e já é permitido ouvir as músicas do oh-oh-oh. Todos os hábitos invernais se instalam no mês de Novembro, as castanhas assadas, os frutos secos no geral, as mantas e lareiras acesas, os casacões pesados mas quentes que dificultam o movimento dos braços, o chocolate quente, ou chá ou café, os abraços que ainda têm um sabor mais especial...

Por tudo isto, adoro que o meu aniversário seja num mês tão bonito e, este ano, pela primeira vez, passei-o sozinha, longe do meu país e das minhas pessoas. Conclusão: não houve bolo de aniversário com cheiro a velas queimadas, nem uma multidão de pessoas, ou uma que fosse, que nos quer bem a cantar o 'parabéns a você'. Não houve pequenos-almoços na cama, nem jantares para comemorar e, com muita pena minha, por força da logística das coisas, nem um presentinho para desembrulhar. Mas não foi por isto que deixou de ser um bom aniversário, foi só diferente. Hoje em dia, a internet, assim como os telefones, encurtam a distância entre quem se quer comunicar e ver. E durante todo este dia, senti que as pessoas mais importantes da minha vida estiveram comigo no pensamento e no coração, onde me costumam também guardar nos restantes dias do ano.
E sim, estou um ano mais velha...


"A Thousand Years" - Christina Perri Cover / "Twenty-Four" - Switchfoot (Mashup)
by Tanner Patrick

sábado, 15 de novembro de 2014

Por terras belgas #2

Existe toda uma realidade muito diferente quando se vive sozinha num país. Uma realidade muito estranha, meio que alienígena, por não sabermos onde pertencemos. A maior parte do tempo tentamos encaixar-nos, começamos a criar as nossas próprias rotinas e a tentar abraçar a nossa nova realidade como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Que não é. Ninguém nos obrigou a vir atrás dela, ninguém. Todos nos apoiam: a mãe, o pai, o irmão, os amigos, até o peixinho do aquário, e isso é muito importante. Os avós, esses, são os que menos compreendem, são estes que ainda agora descobriram que o planeta é redondo (verdade!) e nunca andaram de avião: 'como é que é possível quereres ir embora?' - é a pergunta. Antes de voar para cá, mostrei à minha avó o Google Maps e como estou apenas a três países de distância, o que é super perto quando olhamos para a enormidade do planeta inteiro. Ficou mais descansada felizmente, mas não a impediu de chorar copiosamente na despedida, o que me custa sempre imenso...

Deixar o Country Boy no meu país e partir para outro sozinha... bom, isso foi o que mais me custou, e só de pensar nisso, soa-me a loucura. Agora estamos a viver realidades diferentes, em casas diferentes, com culturas diferentes, horários diferentes e comidas diferentes. Durmo numa cama estranha, que não reconhece a forma do meu corpo e que, estando a três mil quilómetros do meu Boy, inevitavelmente afasta-me do meu parceiro de sonhos... do amor da minha vida. Por outro lado, ambos (eu e o Boy) julgamos  que não existe maior prova de amor do que deixar o outro perseguir a carreira que ambiciona, estando, ainda que fisicamente distante, sempre presente do seu lado. É por isto que o amor é tão poderoso, tão revigorante... O meu pensamento nele é instantâneo, involuntário, incessante. E sei que correspondido. E assim as saudades vão crescendo desmedidas e as chamadas por Skype não têm fim, até ao próximo dia em que um avião me fizer o favor de aproximar o meu corpo do seu corpo. Porque os nossos corações estão mais próximos e unidos que nunca.

Ed Sheeran - Thinking out loud

sábado, 1 de novembro de 2014

Por terras belgas #1

Esqueci-me de mencionar uma coisa importante, que entretanto veio mudar a minha vida. Esta semana voei de Lisboa para Bruxelas, Bélgica, e é neste país (de onde vos escrevo) que vou começar a trabalhar entretanto, depois do curso concluído em Portugal, em Setembro deste ano. Vim porque surgiu uma boa oportunidade, vim porque vou (continuar a) trabalhar em algo que me interessa e terei boas condições para o fazer. Confesso que, por já ter este compromisso, não cheguei a procurar emprego em Portugal. Conhecendo o estado actual do mercado de trabalho português, não posso deixar de me sentir com alguma sorte por não ter de passar pela frustração enorme dos recém-licenciados em busca do seu primeiro trabalho. Espero sinceramente que a situação continue a melhorar gradualmente, os portugueses merecem mais! Vim para a Bélgica e, por aqui, vou ficar algum tempo... mas o meu coração ficou em Portugal. Sempre Portugal.
Lisboa-Bruxelas