Existe toda uma realidade muito diferente quando se vive sozinha num país. Uma realidade muito estranha, meio que alienígena, por não sabermos onde pertencemos. A maior parte do tempo tentamos encaixar-nos, começamos a criar as nossas próprias rotinas e a tentar abraçar a nossa nova realidade como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Que não é. Ninguém nos obrigou a vir atrás dela, ninguém. Todos nos apoiam: a mãe, o pai, o irmão, os amigos, até o peixinho do aquário, e isso é muito importante. Os avós, esses, são os que menos compreendem, são estes que ainda agora descobriram que o planeta é redondo (verdade!) e nunca andaram de avião: 'como é que é possível quereres ir embora?' - é a pergunta. Antes de voar para cá, mostrei à minha avó o Google Maps e como estou apenas a três países de distância, o que é super perto quando olhamos para a enormidade do planeta inteiro. Ficou mais descansada felizmente, mas não a impediu de chorar copiosamente na despedida, o que me custa sempre imenso...
Deixar o Country Boy no meu país e partir para outro sozinha... bom, isso foi o que mais me custou, e só de pensar nisso, soa-me a loucura. Agora estamos a viver realidades diferentes, em casas diferentes, com culturas diferentes, horários diferentes e comidas diferentes. Durmo numa cama estranha, que não reconhece a forma do meu corpo e que, estando a três mil quilómetros do meu Boy, inevitavelmente afasta-me do meu parceiro de sonhos... do amor da minha vida. Por outro lado, ambos (eu e o Boy) julgamos que não existe maior prova de amor do que deixar o outro perseguir a carreira que ambiciona, estando, ainda que fisicamente distante, sempre presente do seu lado. É por isto que o amor é tão poderoso, tão revigorante... O meu pensamento nele é instantâneo, involuntário, incessante. E sei que correspondido. E assim as saudades vão crescendo desmedidas e as chamadas por Skype não têm fim, até ao próximo dia em que um avião me fizer o favor de aproximar o meu corpo do seu corpo. Porque os nossos corações estão mais próximos e unidos que nunca.
Ed Sheeran - Thinking out loud
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